Em relação aos textos bíblicos, os apegados à letra, para combater a crença na
reencarnação, sempre recorrem a uma determinada passagem da epístola aos hebreus que, muito embora ela já tenha sido analisada por inúmeros autores, vamos dar a nossa contribuição para ajudar no entendimento de que a reencarnação faz parte do texto bíblico e, por consequência, do seu contexto.
Não estaremos aqui preocupados em desenvolver todos os argumentos a favor da
reencarnação, faremos apenas uma rápida referência de textos bíblicos nos quais ela se torna evidente, para quem tem “olhos de ver”.
Todos os que estudam a Bíblia sabem que no Antigo Testamento há uma profecia de Malaquias, na qual é prevista a volta de Elias, que pode ser vista nestas passagens1:
“Eis que enviarei o meu mensageiro para que prepare um caminho diante de mim” (M. 3,1).
“Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Iahweh, grande e terrível” (M. 3,23 ou 4,5).
A primeira, fala do envio do mensageiro e a segunda, identifica-o como Elias. E quem relaciona alguém a essa profecia é Jesus, quando, em se referindo a João Batista, diz: “É dele que está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti'” (Mt 11,10). E para que não pairassem dúvidas arrematou: “E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que deve vir” (Mt 11,15).
E numa outra oportunidade, quando os discípulos Pedro, Tiago e João questionaram-no sobre a razão dos escribas dizerem que Elias viria primeiro (Mt 17,10) foi ainda mais objectivo dizendo: “Certamente Elias terá de vir para restaurar tudo. Eu vos digo, porém, que Elias já veio, mas não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo quanto quiseram” (Mt 17,11-12; Mc 9,13).
Devemos ter atenção especial a esta frase “Desde os dias de João Batista até agora, o Reino do Céu sofre violência,”, (Mt 11,12) dita por Jesus, lembrando, para que não passe desapercebido, que João foi seu contemporâneo; assim, o “desde os dias de João Batista” só terá sentido se se considerar que Jesus, ao fazer essa referência, Ele está falando sobre o passado de João; ora, como João foi contemporâneo de Jesus, esse passado de João só pode se referir a uma vida sua anterior que, no caso, pela própria afirmativa de Jesus, foi como Elias, conforme os versículos 13-15, chegando a ponto Dele dizer no 15: “Quem tem ouvidos, ouça!”.
A crença na reencarnação era algo comum no tempo de Jesus, embora, não signifique que todos acreditavam nela e nem que aceitassem que todo o mundo reencarnaria. Julgava-se que isso acontecia apenas com os profetas, razão pela qual, na época, conforme demonstram os textos bíblicos, pensava-se que Jesus poderia ser Elias, Jeremias ou algum dos antigos
profetas ( Mt 16,13-14; Mc 6,14-16; Lc 9,18-19). E essa crença era tão disseminada no seio da sociedade da época que os judeus chegaram a enviar sacerdotes e levitas a João para saber se este era Elias ou o profeta (o Messias), conforme narrado em Jo 1,19-23.
É de se destacar que, até nos dias actuais, alguns fiéis têm convicção de que ressuscitarão fisicamente, o que é totalmente anti-científico, além de não constar da Bíblia (na qual dizem se apoiarem); além disso é contrário ao sentido desta fala de Jesus: “O espírito é que vivifica; a carne para nada serve”. (Jo 6,63).
Os que combatem a ideia da reencarnação, de forma recorrente, conforme já o
dissemos no início, apresentam, como “prova” bíblica o seguinte verso: “... aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto o Juízo” (Hb 9,27), na versão das Bíblias protestantes: Mundo Cristão, BTB, SBB e Shedd.
Interessante é que muitos leitores (e não estudiosos da Bíblia!) não têm conhecimento.
(Fonte: apologiaespirita.br)