domingo, 17 de outubro de 2010

Morrem os homens uma só vez?


Em relação aos textos bíblicos, os apegados à letra, para combater a crença na
reencarnação, sempre recorrem a uma determinada passagem da epístola aos hebreus que, muito embora ela já tenha sido analisada por inúmeros autores, vamos dar a nossa contribuição para ajudar no entendimento de que a reencarnação faz parte do texto bíblico e, por consequência, do seu contexto.
Não estaremos aqui preocupados em desenvolver todos os argumentos a favor da
reencarnação, faremos apenas uma rápida referência de textos bíblicos nos quais ela se torna evidente, para quem tem “olhos de ver”.
Todos os que estudam a Bíblia sabem que no Antigo Testamento há uma profecia de Malaquias, na qual é prevista a volta de Elias, que pode ser vista nestas passagens1:
Eis que enviarei o meu mensageiro para que prepare um caminho diante de mim” (M. 3,1).
Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Iahweh, grande e terrível” (M. 3,23 ou 4,5).
A primeira, fala do envio do mensageiro e a segunda, identifica-o como Elias. E quem relaciona alguém a essa profecia é Jesus, quando, em se referindo a João Batista, diz: “É dele que está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti'” (Mt 11,10). E para que não pairassem dúvidas arrematou: “E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que deve vir” (Mt 11,15).
E numa outra oportunidade, quando os discípulos Pedro, Tiago e João questionaram-no sobre a razão dos escribas dizerem que Elias viria primeiro (Mt 17,10) foi ainda mais objectivo dizendo: “Certamente Elias terá de vir para restaurar tudo. Eu vos digo, porém, que Elias já veio, mas não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo quanto quiseram” (Mt 17,11-12; Mc 9,13).
Devemos ter atenção especial a esta frase “Desde os dias de João Batista até agora, o Reino do Céu sofre violência,”, (Mt 11,12) dita por Jesus, lembrando, para que não passe desapercebido, que João foi seu contemporâneo; assim, o “desde os dias de João Batista” só terá sentido se se considerar que Jesus, ao fazer essa referência, Ele está falando sobre o passado de João; ora, como João foi contemporâneo de Jesus, esse passado de João só pode se referir a uma vida sua anterior que, no caso, pela própria afirmativa de Jesus, foi como Elias, conforme os versículos 13-15, chegando a ponto Dele dizer no 15: “Quem tem ouvidos, ouça!”.
A crença na reencarnação era algo comum no tempo de Jesus, embora, não signifique que todos acreditavam nela e nem que aceitassem que todo o mundo reencarnaria. Julgava-se que isso acontecia apenas com os profetas, razão pela qual, na época, conforme demonstram os textos bíblicos, pensava-se que Jesus poderia ser Elias, Jeremias ou algum dos antigos
profetas ( Mt 16,13-14; Mc 6,14-16; Lc 9,18-19). E essa crença era tão disseminada no seio da sociedade da época que os judeus chegaram a enviar sacerdotes e levitas a João para saber se este era Elias ou o profeta (o Messias), conforme narrado em Jo 1,19-23.
É de se destacar que, até nos dias actuais, alguns fiéis têm convicção de que ressuscitarão fisicamente, o que é totalmente anti-científico, além de não constar da Bíblia (na qual dizem se apoiarem); além disso é contrário ao sentido desta fala de Jesus: “O espírito é que vivifica; a carne para nada serve”. (Jo 6,63).
Os que combatem a ideia da reencarnação, de forma recorrente, conforme já o
dissemos no início, apresentam, como “prova” bíblica o seguinte verso: “... aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto o Juízo” (Hb 9,27), na versão das Bíblias protestantes: Mundo Cristão, BTB, SBB e Shedd.
Interessante é que muitos leitores (e não estudiosos da Bíblia!) não têm conhecimento.
(Fonte: apologiaespirita.br)

sábado, 9 de outubro de 2010

Como entender o Centro Espirita

Alamar Régis Carvalho
Já que o Espiritismo não admite, em hipótese alguma, a fé cega, o fanatismo, o crer por crer, o aceitar com base na influência dos outros e a prática religiosa sem racionalidade, cumpre ao espírita sério orientar as pessoas acerca dessa questão de falar com espíritos, falar com pessoas que “já morreram”, participar de uma “sessão espírita”, de um “trabalho mediúnico”, que é coisa que muita gente tem curiosidade em saber.
Em princípio, a pessoa não deve se deixar levar por certas argumentações baseadas em “a Bíblia diz”, porque determinadas pessoas, “conselheiras” religiosas, se referem muito ao “a Bíblia diz” sem analisarem profundamente o mesmo questionamento em várias outras passagens da mesma Bíblia.
Por exemplo: Dizem que Moisés proibiu a comunicação com os “mortos”. Todavia ele mesmo, que já havia morrido, apareceu e comunicou-se com Jesus, Pedro e Tiago, no Tabor, para deixar bem claro que a história foi mal contada ou mal interpretada. Detalhe: Jesus concordou, porque conduziu a comunicação normalmente, com a testemunha dos apóstolos.

O Vaticano, recentemente, através de longa entrevista do Cardeal Gino Cosseti, no “Oservatore Romano”, órgão oficial da Santa Sé, afirmou categoricamente que existe, que é possível e que deve ser feita a comunicação com os chamados “mortos”, desde que feita com responsabilidade, com motivos úteis, com seriedade e sem brincadeira ou má intenção.
É exactamente isso que o Espiritismo ensina, há mais de 150 anos.
Apesar da seriedade com que a Doutrina Espírita apresenta a questão e recomenda aos praticantes do Espiritismo, infelizmente existe ainda muita gente em busca de notoriedade às custas dela, querendo aparecer de qualquer maneira, fazendo do Centro Espírita um verdadeiro picadeiro de circo.
É aí quando você vê em alguns centros, rotulados com o nome de “espírita”, médiuns fungando, batendo nas mesas, sacudindo as pessoas, dando puxões nos braços dos frequentadores, aperta aqui aperta ali, gesticula, fala alto, sacode a cabeça, respira forte e faz um monte de trejeitos.
É Espiritismo isso?
Não! É palhaçada mesmo. Exibicionismo! É a necessidade de ser o centro das atenções para os frequentadores da casa.
Quando o centro “espírita” coloca um monte de gente para participar do trabalho mediúnico, inclusive pessoas que vão à casa pela primeira vez, maioria por curiosidade e abrindo esse trabalho para o público; com todo respeito aos dirigentes dos centros que praticam isso, a verdade é que estão cometendo um acto de muita irresponsabilidade, desconsideração ao frequentador e desrespeito para com a Doutrina Espírita.
Em determinados “centros”, quando o frequentador tem dinheiro, é alguém de certo destaque na sociedade, todas as atenções são voltadas para essa pessoa, que é convidada a participar da sessão e sentar na tal mesa que muitas casas adoptam, sempre forradas com toalhas brancas (não sei porque insistem tanto em ter que ser branca).
Aí aparece um monte de “espíritos” com mensagens para o “ilustre” visitante e toda aquela xaropada.
É bom salientar que esse puxa saquismo existe também em tudo quanto é religião, principalmente naquelas que adoram os cifrões.
Repito que o Centro Espírita não pode ser apresentado como se fosse um picadeiro de circo.
O Centro Espírita não é lugar para curiosos. Ele aceita, sim, a visita de pessoas que desejam pesquisar, observar, perguntar e questionar, sem problema algum, desde que com seriedade e responsabilidade, jamais com deboche.
Para participar de um trabalho mediúnico, a pessoa deve já estar, indispensavelmente, orientada sobre o que é o Espiritismo, qual a sua razão, os seus objectivos, as suas propostas, quais os seus postulados, como vivem os espíritos, como se processa uma comunicação de um desencarnado com um encarnado etc.
Essas coisas só podem ser conhecidas com a leitura das obras básicas do Espiritismo, a começar por “O Livro dos Espíritos” e em seguida pelo “Livro dos Médiuns”.
Quero esclarecer que são livros de mais de 400 páginas, cada um. Se você tem preguiça de ler, não gosta de ler, não está disposto a ler, é melhor esquecer que existe alguma coisa que você chama de “sessão espírita”. Não vá!
Alguém que não quer, de forma alguma, aprender a dirigir, não pode querer pegar no volante de um carro e sair por aí, porque correrá o sério risco de se ferir e até se matar, além de ferir ou matar os outros.
Ao contactar com o espírito no Centro, em primeiro lugar é bom analisar se é um espírito desencarnado mesmo que está se comunicando ou se é o médium que está mistificando ou praticando animismo. Isso você só vai saber o que é, estudando os livros propostos. Identificar espíritos e suas intenções é fácil demais. Só mesmo quem não tem qualificação racional e é possuidor de inteligência de minhoca, é capaz de dizer que todos os espíritos são demónios ou que todos são bons orientadores.
Espírito verdadeiramente bom e honesto jamais ficará aborrecido se você questioná-lo, duvidar, recusar determinadas orientações e conversar naturalmente com ele, como se fosse com uma outra pessoa qualquer.
Se começar a se irritar, pode ter certeza de que é mistificação, desequilíbrio do médium e palhaçada mesmo.
Enfim, gente. Espiritismo é coisa séria, ética, sensata, racional e de muita responsabilidade.

Como Ler a Biblía

A bíblia
 É um excelente livro quando interpretada com lucidez e sem partidarismo religioso, ela educa, incita a pratica do amor a DEUS e ao próximo, nos incentiva à prática da caridade e nos esclarece acerca de muitos factos históricos e até científicos. A bíblia é um péssimo livro quando interpretada segundo interesses de pessoas ditas espirituais, porém extremamente materialistas (só visam o seu bem estar e vêem na religião uma grande fonte de lucros) e quando usada por grupos fanáticos. Podemos observar que algumas passagens bíblicas foram realmente inspiradas por DEUS (ou por espíritos superiores), devido ao teor de pureza que na terra não encontramos em nenhum ser humano, no que diz respeito ao mais alto grau da moral, quando se fala de perdão incondicional, orar pelos inimigos, a luta e vigilância constantes para não cairmos em tentação, á prática do amor acima de tudo. Do mesmo modo podemos também observar claramente passagens bíblicas que não contém nenhuma inspiração divina, quando vemos a incitação a violência contra os irmãos inclusive por motivos irrisórios, a mãe apedrejar um filho por desobediência, um animal que violentado por um homem pagar com a própria vida sendo inocente e vitima, e muitas outras insanidades que não condizem com o DEUS de amor e justiça pregado pelo mestre Jesus Cristo. Praticamente todas as nossas leis tiveram como base os preceitos bíblicos, é claro que foram sendo modificadas de acordo com a necessidade da época, encontramos esses preceitos em nossa constituição, nos livros de direito cível ou penal, e um livro que influencia deste jeito para o bem estar comum, deve merecer todo o nosso respeito (e não medo) não é mesmo? Merece o nosso mais profundo respeito, mas, daí a ser considerado como palavra de DEUS ou totalmente inspirado vai uma grande distancia, principalmente quando analisado com imparcialidade e levando-se em consideração os principais atributos de DEUS. Como que um DEUS de amor, omnisciente, omnipotente e omnipresente poderia se enganar, se arrepender, primeiro incentivar o amor depois mandar matar? Como que DEUS poderia se contradizer através das páginas da bíblia, como vemos em várias passagens onde em um lugar é afirmado uma determinada coisa, e em outro lugar aquilo é contradito? Enfim, como tudo que existe neste mundo e que o homem colocou as suas mãos, temos que separar o que é bom do que é ruim e colocarmos em prática em nossas vidas, a bíblia não foge desta regra. Somos privilegiados hoje porque temos toda uma vasta literatura espírita (principalmente os livros da codificação) que nos ajudam a compreender com lucidez as passagens bíblicas, o que aos nossos irmãos do passado não era possível.